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Propriedade Moura

As minhas crónicas... Por Margarida Moura.

Segunda-feira, Outubro 16

Pronúncia do Norte

Para a Nitinha

Porque sim. Foi lá que nasceu e foi lá que cresceu a ganhar valores e princípios dos bons, não daqueles efémeros que desaparecem quando convém, daqueles que são fortes, são pilares e aguentam os obstáculos que tendem a aparecer no caminho.
Porque sim. Mesmo sendo a princesa da família, a menina dos olhos do papá e a protegida do irmão, fez-se à estrada até Lisboa onde enfrentou a capital, e todas as suas ironias “mouras”, com a graça de quem sabe muito bem onde quer chegar. E chegou. E ainda vai chegar mais. É certo.
Porque sim. Tornou-se independente ainda que muitas vezes chame baixinho o colo da mãe, com saudades das pessoas e dos cheiros da casa de Viana, à procura do cantinho que sempre lhe foi protegido e reservado. Mas, como é lá de cima não desiste facilmente.
Porque sim. Porque sempre achou que desistir é dar vitórias a quem não as merece, a quem não luta por elas e têm-nas por obra e graça do Espírito Santo, porque ainda não fez o suficiente, porque quer mais, porque as suas raízes do norte também atracaram cá, habituaram-se, cresceram e aprenderam com os da mouraria, porque ainda há muita coisa por explorar e por acontecer, porque precisam dela aqui e sentem a falta dela quando não está, porque a sua voz já conquistou muitos e a sua pronúncia já ergueu bandeira, porque as saudades também se matam por telefone e porque tão cedo, não a vão deixar ir embora.
Porque sim. Porque é genuína, de raça, de nariz empinado, ainda que se sinta qualquer abaixo da crosta terrestre, porque tem a alma cheia, porque chora quando assim o sente, porque da mesma maneira que opina sobre armamento e possíveis guerras nucleares, sobe-lhe a mostarda (e a mão) ao nariz e leva as mãos à anca e não há revolta das galinhas que a intimide. Porque leva tudo à frente quando se sente injustiçada ou quando a injustiça toca aos que fazem parte da sua vida, porque a classe não escolhe regiões, escolhe pessoas e ela está claramente na lista dos escolhidos, porque a sua gargalhada consegue salvar o dia, porque é assim, sem tirar nem por, com surpresas que nunca desiludem, só preenchem. Porque dança o vira como dança qualquer valsa que toque, porque fez da cidade o seu poiso e das gentes os seus amigos, porque pode até conhecer pessoas na casa-de-banho e ser olhada de soslaio, mas histórias para contar não lhe faltam, porque não teme... ainda que muitas inseguranças a façam tremer dos pés à cabeça, qual noiva de Viana do Castelo ao carregar os “oiros” até ao altar, porque bate o pé e refila com a pronúncia ainda mais carregada quando lhe tentam passar por cima, porque está sempre atenta e informada e sempre com sede de saber mais, porque dá a mão e o braço e o coração quando precisam... ainda que não lho peçam... e nem sempre o mereçam, porque tem a palavra certa no momento certo ainda que não lha reconheçam, porque a sua presença se torna essencial e uma das cores essenciais à vida, porque quando grita pelo seu clube – Benfica – ninguém grita mais alto, e muito poucos choram as lágrimas que ela chora num penalty injusto, porque com ela se criam laços de respeito futebolístico, porque apesar de nortenha, também tem desejos de galinha do Kentucky, porque o Martini Bianco ganhou toda uma nova dimensão com a sua existência, porque todos os dias surpreende e porque todos os dias, com ela, são dias sim.
Porque sim. Tem orgulho no que é e no que faz e no que tem. Tem tudo em si, qual pacote de férias que inclui a pulseira do “bar aberto”, e tem um coração enorme. Muito seu. Muito nortenho. Muito especial.
Porque sim. Porque é lá de cima, porque tem a pronúncia mais linda de todas e porque se assim não fosse não seria a mesma pessoa que chegou e ficou em todos nós.

(E sobretudo, porque és tu Nitinha!!!)

Quinta-feira, Julho 13

Os talheres de prata da Tia Sophie

Para a Susana Romana

Mais um ano e mais um Thanksgiving trazia família, frango assado, graças por tudo que se tinha ali, neve e lama à casa que depois de meses de procura era, finalmente, a escolhida.
Vivia a data que nunca fizera parte do seu calendário com o mesmo entusiasmo de quem acorda cedo para tentar chantagear o Pai Natal na manhã de 25 de Dezembro há sete anos... quando decidiu ir estudar para Nova York, só por uns meses. E acabou por encontrar mais do que esperava. Um bom emprego, um marido de fazer inveja e um americano verdadeiramente inteligente, o que era raro, e a casa com que tinha sonhado muitas vezes em miúda.
Não podia deixar de sorrir quando fazia o dito “balanço” da sua vida, mas o cheiro a maçã cozida não a deixava perder muito tempo em recordações e possíveis histórias para contar que ía escrevinhando num bloco de papel para não se esquecer dos pormenores.
Já tinham chegado os sobrinhos rigorosamente vestidos para o fim de semana de futebol americano... em que tipicamente os homens deixavam as mulheres na sala de jantar na companhia de um bom vinho e de conversas que acabam sempre no tamanho... do perú...
A casa estava num rodopio… sem ninguém devidamente autorizado a entrar na sua cozinha para opinar quanto à receita, o serviço – rendido ao faqueiro de prata simplesmente horroroso que a falecida Tia Sophie tinha deixado - e o que podiam beber as crianças que uma era alérgica à laranja, a outra simplesmente detestava maçã e as que gostavam de Coca-Cola não iam gostar de saber que já não havia nenhuma no frigorífico. E enquanto na sala se misturavam cheiros e teorias, na cozinha punha-se em prática o “Plano B”... “Plano A” de há três anos para cá: o “one-hour Thanksgiving dinner", o seu novo melhor amigo.
Havia só um pequeno problema, nada dramático, mas ainda assim, um problema. O forno estava desregulado pelo que saber precisamente quanto tempo demora um perú de três quilos a assar a 220º podia arruinar a mais esperada refeição do ano. Deixou-o assar cinquenta e três minutos e quando lhe pareceu ver a pele do animal estaladiça, tirou-o do forno e levou-o para a mesa com o sorriso de vitória dos anos anteriores.
O silêncio das preces era respeitado por todo, embora os mais pequenos não percebessem do que se tratava. O objectivo daquele encontro era estripar um peru e gozar com o Tio Sam – não o país, o tio mesmo – e a sua incontinência de quem já vem nos seus honrosos 98 anos.
“Amén!”
E trocados olhares e sorrisos, ela começou a trinchar o perú.
“Então, mas... mas...”
Estava crú. Estaladiço por fora, é um facto, mas quase em sangue por dentro.
“Deixa lá, amor. Está só mal passado... mas cheira bem!”
Sorriu de volta e estendeu o prato. Não seria um animal estúpido e embebedado sabe-se lá quando que lhe ía arruinar o jantar. Havia puré de tudo e mais alguma coisa e ninguém ousaria criticar os seus grelos salteados em azeite e alho.
Os miúdos comeram com ar de quem gosta. Provavelmente estavam só a acelerar o processo para a sobremesa, mas não a tinham deixado ficar mal. Já os graúdos estavam rendidos ao silêncio e ao tilintar dos talheres de prata da Tia Sophie nos pratos.
Ela olhou em volta como que à procura do assunto do dia. Mas não teve resposta alguma.
“Isto antigamente era mais giro!”, disse.
“Antigamente... quando?”, respondeu o seu mais que tudo, e americano verdadeiramente inteligente.
“Na fase da “tusa do mijo”... o entusiasmo inicial!”, respondeu com sorriso de quem quer despoletar qualquer coisa, ainda sem saber bem o quê.
Voltaram todos ao silêncio e ao tilintar dos talheres de prata da Tia Sophie nos pratos... só até ao primeiro se começar a rir...

Terça-feira, Julho 4

Drama Popular XIII: Mirones

Infelizmente uma raça ainda a multiplicar-se como os cogumelos, os mirones. Pena que a extinção não chegue a todo o lado...
À praia... onde há uma certa tendência à decoração das dunas com centenas de espécimes desta raça de indivíduos que tentam ser discretos, mas não sendo camaleões e com binóculos na mão, torna-se bastante complicado. Eu sei que o calor aquece os corpos e torna-os morenos, com aspecto saudável, com vontade de viver sem roupa e sem qualquer complexo ou preconceito, mas se já na altura de Adão e Eva, não havia por lá um sujeito em plena crise de meia idade a espreitar por detrás da macieira, não me parece uma consequência da evolução humana, a presença deste eterno estudante da anatomia humana.
À beira rio... onde o clima é suposto aquecer à medida que a lua sobe no céu e onde se partilham as mesmas emoções com muitos outros casais com o mesmo problema de logística. E por muitas dificuldades de visibilidade no vidro embaciado que haja, o mirone nunca desiste... não enquanto não puder participar – vamos esperar que passivamente – no ritual nocturno de ajuste de bancos e controlo do pára brisas.
À fila do trânsito... sim, à fila do trânsito, sobretudo quando se vai de férias. Que o mirone precisa sempre de saber, tomando o exemplo dos outros, se se esqueceu de alguma coisa e como seria agradável a sua mulher ter o par de pernas que, que por acaso, estão no carro do lado...
Aos transportes públicos... porque se há liberdade de expressão e de imprensa, é o mirone quem as defende com unhas e dentes, ainda que em silêncio... o que interessa é que todos os detalhes das conversas e do que vem escarrapachado nos jornais/revistas dos outros, fiquem na sua memória... porque a vida alheia tem sempre um “gostinho especial”.
Ao supermercado, onde até as perseguições de carrinhos de compras contam para que se saiba exactamente qual a marca de maionese ou de pensos higiénicos que a senhora da frente usa... onde as compras da pessoa da frente são sempre mais interessantes e apetitosas e portanto, há que seguir o exemplo....
À fila de entrega no IRS (obrigada internet pelas declarações electrónicas), onde enquanto uns bufam de desespero, há sempre algum mirone que analisa contas, despesas, descontos e quiçá erros de quem preencheu a declaração à pressa.
Às escolas... onde há sempre um engraçadinho que no meio da confusão do toque da saída se chega à frente, mas conhecer mais de perto (e muitas vezes, perto demais) a realidade das adolescentes de agora.
À porta do ginásio... que o mirone nunca deve ter ouvido falar em “balneário” e “duche” e por isso, vive na esperança de ver um corpo suado a sair a arfar de vitória por ter enfrentado a máquina de remo por 55 minutos.
Aos jardins... o chamado habitat natural. Talvez por ser rústico ou porque as folhas são sensíveis ao toque, ou então porque é das árvores que normalmente caem os frutos proibidos e há sempre a ansiedade de ver um casal num ritual de acasalamento de homenagem aos primatas.
Triste vida a de quem só gosta de ver... seja de longe ou de perto...
Pena que sejam tão difíceis de controlar mesmo que à distância de uma pressão de ar.

MM

Segunda-feira, Julho 3

Um jogo assim...

Inglaterra – 1 Portugal - 3

... arruina qualquer manicure e qualquer penteado bem lisinho e arranjado... que as unhas e o cabelo passam a ser relativos quando a honra do país entra em campo...
... faz sofrer do início ao fim... durante 120 looooongos minutos e mais uns quantos que se medem em penalties...
... transforma-nos em seres completamente irracionais de quem garante mil promessas para ver o marcador mudar a seu favor e pragueja para quem parece querer fazer com que o jogo não corra...
... só comprova a teoria de que o Rooney não joga futebol... aliás, basta olhar para perceber que se trata nitidamente de um “pilar” de rugby... mesmo sem perceber muito de “touche”, “melê” ou “ensaios”... dá para ver e a placagem ficou registada pela televisão...
... torna qualquer comentador desportivo parcial e adepto ferrenho de quem vai partir para a ignorância e invadir o campo se o resultado não for favorável (embora já não se viva aquela emoção de quem só quer ver ripar na rapaqueca – faz muita falta o Perestrelo!)...
... desperta em nós os descobridores adormecidos... com humildade de quem fica para trás na Europa, mas segue em frente com a garra de um qualquer Adamastor...
... faz ter sede e perdê-la no segundo a seguir... quando a garganta já rouca vê um golo anulado...
... acelera o coração... seja ele pequeno ou grande, cheio ou vazio... Ganha força e quase ganha voz, ao querer sair pela boca...
... junta amigos, mãos, amores... em nome de um objectivo comum, de um sacrifício vivido em conjunto que só quer dar mais um passo em frente e parecer maior...
... acorda o nosso espírito filho da mãe em que o “Ai é?!! Também não marcas nenhum, oooh palhaço!” e une uma nação inteira sem clubes, sem partidos e sem raças... em que a cor é só uma: a nossa....
... traz lágrimas de sofrimento... de não querer passar por uma fase de fado no futebol, de quem quer ir mais longe e luta com unhas e dentes até conseguir, de quem agarra cachecóis para que as vibrações cheguem às quatro linhas...
... faz arrepiar um povo, de norte a sul, esteja em que país estiver que canta o hino como se fosse um dos vencedores na conquista deste território que também é seu...
... abraça uma pátria tantas vezes maltratada – até por nós mesmos – com aqueles abraços de quem é feito de sangue, suor e lágrimas e com muito orgulho nisso... de quem tem honra e sabe dar a mão à palmatória das suas críticas irracionais... de quem sabe o que se sofre para e por ser português...
... faz não desistir e dá fome de mais... sempre mais...
... faz amar ainda mais Portugal!!!

Segunda-feira, Maio 29

Drama Popular XII: transportes públicos

O século XXI pode trazer muita esperança e muito avanço na tecnologia, mas no que diz respeito à verdadeira essência dos transportes públicos, ainda estamos muito aquém do objectivo.
O português anda feliz... de sorriso na cara e bem disposto apesar dos constantes aumentos na gasolina e na carcaça do pequeno almoço. Parece que a vidinha lhe corre bem, mais ainda agora que pode poupar no parquímetro e nas filas de trânsito, que já é possível falar ao telemóvel no metro... e já se sabe, que sem telemóvel, a sobrevivência da raça humana deixa de ter significado... e sempre dá jeito naqueles minutos que nos separam de casa e, graças a Deus, do trabalho.
O drama está na nossa falta de memória... que andamos tão ocupados a ver as fotografias, repetidamente, e as sms’s que já deviam ter sido apagadas há muito, que não damos pela entrada no veículo já em movimento da senhora dois sacos de plástico, do senhor que precisa desesperadamente de fazer amigos, e claro, do indivíduo – que um humano, nas suas capacidades ditas normais não cheira assim - que não vê banheira há um par de anos... e esses sim, fazem tão parte da história dos transportes, como os Felipes fazem da história de Portugal.
Qualquer conversa tida com toda a gente da nossa lista de contactos salva o barulho de quem prefere usar sacos de plástico a uma mala... e cada saco com o seu conteúdo que bilhete de identidade, moedas e passe não coabitam em felicidade... e muito menos fazem sentido sem o remexer típico, sempre em busca de mais alguma coisa... Pena que não haja um daqueles saquinhos pequeninos do El Corte Inglés para os cotonetes... que a senhora, ao fim de uma década a lidar com sacos Carrefour, Pingo Doce e Feira Nova, já conta com o ruído de fundo como parte do seu habitat natural.
Mais difícil é fugir, a não ser mesmo em caso de desespero que não dá multa pelo vidro quebrado em caso de emergência, do senhor-que-precisa-desesperadamente-de-fazer-amigos. Neste caso, qualquer suspiro de calor ou de quem simplesmente não quer partilhar meia hora da sua vida com estranhos, pode dar azo a um chorrilho de desabafos - que até podemos compreender, mas no fundo, não nos interessam minimamente – quanto à vida da família, do país e até dos vizinhos espanhóis que são mais ricos, mais espertos, têm um rei e ainda dormem a sesta.
A solidão entristece, mas também se pega... daí que muitas vezes, a nossa fuga seja feita em monólogos ao telemóvel como se tivéssemos um amigo que não pode viver sem ouvir a nossa voz num percurso de meia hora ou hora e meia, consoante o trânsito... isso e cobertura de rede sem interrupções, nem cortes, nem saltos, de quem está desesperado para falar com o mundo, excepto o senhor que procura amigos no autocarro ou metro, e de tanto desejo de encontrar um, nem teve tempo para apostar, logo pela manhã, num hálito fresco e propício ao convívio social.
Finalmente, e porque esta espécie tem tendência em multiplicar-se como os cogumelos, entra o indivíduo que não vê banheira há um par de anos... e aí, sim, o melhor é usarmos o nosso telemóvel para chamar uma ambulância, ou corremos o risco de trauma irreversível. É que tal indivíduo já foi humano, já teve bom aspecto, mas rendeu-se ao “look rebelde de quem tem uma aversão a banheiras” e faz questão de propagá-lo por esse mundo fora... que não se olha a quem para fazer o bem, e nos dias que correm, a imagem conta muito.
Para quem tenta sobreviver, e porque ainda não telemóveis com cheiro, há duas soluções... ou o alibi em frente ao juíz é a necessidade de oxigenação e lá se fecha o olho ao homicídio voluntário, ou estende-se um braço... em busca do telemóvel já com o número dos táxis memorizados para urgências destas... que só a coragem não é suficiente.

Terça-feira, Maio 23

Amor em part-time


Qual flagelo da SIDA, qual drama do stress, qual telenovela venezuelana que qualquer relação inclui só porque sim, qual problema da família da cara-metade... o busilis de qualquer relação é mesmo, e tão só, a falta de tempo (e por tempo entenda-se tempo mesmo... ou tempo e alguma paciência que ninguém é de ferro).

Os tempos em que o mundo ficava cor-de-rosa só com um olhar e o relógio parava só para podermos ficar com a dita “nossa razão de viver” ficaram algures entre o século XIX e o XX, e só entraram neste por influência das nossas avós, para quem o conceito de “a tempo inteiro” era quase tão irrefutável como a diferença entre um ananás e um abacaxi pelo engenheiro Sousa Veloso.

Um amor assim não deixa de ser amor e sempre é mais leve (e talvez mais intenso)... despojado de perguntas e de as grandes discussões que marcam a vida de um casal supostamente feliz, que vão desde a última saia comprada nos saldos, pessando pela ressaca daquele jantar só de homens e, lá está... o silêncio de 2,5 segundos que desperta a dúvida: será que ele ainda me ama?

Amor em part-time poupa tempo. Aquele conceito de que o amor só é vivido quando passado 24 horas por dia com a nossa cara-metade, é finalmente metido num saco e guardado como se tratasse da Caixa de Pandora... um amor de tanta hora pode dar em asfixia e isso, caso haja dúvida, ainda é crime por estes lados.

Claro que a companhia de quem amamos é sempre bem-vinda, mas tem outro sabor quando não vemos a pessoa pelo menos há cinco minutos.. um sabor a vitória... de quem conquistou aquele momento como Don Afonso Henriques fez em Guimarães... e lá está, é sempre recompensado pelas tácticas de Don Juan, ainda que ouvidas já mil vezes.

Amor em part-time poupa dinheiro.... sim, poupa dinheiro. Que o amor em part-time não manda sms’s de três em três segundos com discussões de quem ama verdadeiramenta mais... porque um “gosto de ti” e um “mas eu gosto mais” multiplicado por 147 mensagens ao dia, resume-se à devassa por completo da conta bancária no final do mês... e a isso, nenhum amor resiste...

E depois há aquela realidade cinematográfica de que ao não estarmos a toda a hora com o fruto do nosso desejo (expressão bonita, esta), minhas senhoras, não há aquela tendência para gastar dinheiro naquele top, naquele vestido, naquelas calças, naquelas sandálias que temos mesmo que comprar porque ele vai reparar... e não vai... que eles raramente reparam nisso... e ainda bem... porque na verdade, só usamos esse top/vestido/calças/sandálias uma vez porque não gostamos assim tanto (ou até nem nos fica por aí além)... e o interesse deles ultrapassa qualquer barreira de vestuário e segue em frente... sem travões!...

Amor em part-time poupa neurónios. É um facto. Para quê ler a enciclopédia Luso-Brasileira numa semana para dar ares de boião de cultura, se depois os brilharetes seguem mesmo noutras direcções? Qual a necessidade de estourar a cabeça com mil planos e esquemas de ir ali, encontrarmo-nos acolá se no final de tanta conjetura só ganhamos uma valente dor de cabeça?

Pois é... praticamente nenhuma... Sejamos pragmáticos que é precisamente aí que nos tornamos mais sábios e ganhamos o sal na língua que qualquer amor traz. Há coisa melhor?... Bem me parecia.

Finalmente, amor em part-time poupa amor. Isso mesmo. Porque assim não há desculpas de “agora não me apetece”; “estou farta disto tudo”; “preciso de um tempo para respirar”, porque há sempre vontade de mais, sempre mais, desejo de mais, procura de mais... e claro, garantia de mais... ainda que em part-time!

Segunda-feira, Abril 10

Se eu fosse...

Se eu fosse um mês, seria Junho ou Julho... um mês quente mas ainda com oxigénio...
Se eu fosse um dia da semana, seria sexta... ou quinta (para os jantares de sushi!)...
Se eu fosse uma hora do dia... seria o fim da tarde... o fim do trabalho e o início de tudo o resto...
Se eu fosse um planeta ou astro, seria a Lua... por todas as suas fases...
Se eu fosse uma direcção, nunca seria só uma porque me perco com muita facilidade...
Se eu fosse um móvel, seria talvez a cadeira de Le Corbusier...
Se eu fosse um líquido, seria Champagne (nota: disse champagne... não espumante)... sempre em festa!
Se eu fosse um pecado, seria o orgulho...
Se eu fosse uma pedra, não falava... havia de ser bonito... o mundo em paz e eu infeliz...
Se eu fosse uma árvore, pelo tamanho um bonsai... só pode...
Se eu fosse uma fruta, seria morango... porque não há melhor que um morango...
Se eu fosse uma flor, seria uma tulipa (anh??? N fiz a piada básica com o meu nome!!!)...
Se eu fosse um clima, seria tropical... calor com amuos de chuva de 5 minutos... that’s me!
Se eu fosse um instrumento musical, seria o reco reco... só pq sim...
Se eu fosse um elemento, seria qualquer coisa entre o fogo e a água que não se anulasse...
Se eu fosse uma cor, branco... como é a frontalidade...
Se eu fosse um bicho, um cavalo... deve ser fetiche...
Se eu fosse um som, seria ahahahahahahahaha...
Se eu fosse uma música, seria outra pessoa que não eu pq eu sou de banda sonora... não de uma música só...
Se eu fosse um estilo musical, seria um melting pot de música...
Se eu fosse um sentimento, qualquer um que não o vazio... q é o mais triste q pode haver...
Se eu fosse um livro, seria a Cartilha de João de Deus... ou então uma biblioteca... que sou uma pessoa que lê muito!
Se eu fosse uma comida, seria SUSHI... alguma dúvida?????
Se eu fosse um lugar, seria talvez a Jamaica... diz que lá cheira bem...
Se eu fosse um gosto, seria morango ácido das pastilhas... são as mais inesperadas!...
Se eu fosse um cheiro, seria cheiro a perfume...
Se eu fosse uma palavra, seria DINHEIRO... já que não o tenho ao menos digo...
Se eu fosse um verbo, seria viver... todos os dias... apesar das mil paranóias!...
Se eu fosse um objecto, seria uma caneta...
Se eu fosse uma parte do corpo, seria uma boca...
Se eu fosse uma expressão facial, seria rir...
Se eu fosse um personagem de desenho animado, seria a pocahontas... p andar por lá a desbravar o mato que nem uma prosti...
Se eu fosse um filme, seria o da minha vida... caseiro ou não, logo se vê... mas c pelo menos um separador de pista!
Se eu fosse uma forma, seria uma pirâmide... muito segredo guardado...
Se eu fosse um número, seria o 4... depois da conta que Deus fez, o recomeço...
Se eu fosse uma estação, seria o Verão!!!!!!!
Se eu fosse uma frase, seria “Siga para bingo!”.... que isto ainda agora começou...

(nota: mandaram-me isto por mail e não resisti a responder...)